100 anos de história: 10 fatos importantes sobre a Yle, emissora pública finlandesa

Quando a Yle, emissora pública da Finlândia, transmitiu seu primeiro programa de rádio, em 9 de setembro de 1926, esse veículo ainda era uma novidade. Um século depois, a Yle chega ao público por meio da televisão, pelo rádio, por serviços de streaming, aplicativos móveis e notícias online.

Para celebrar os 100 anos da Yle, reunimos dez fatos sobre a emissora e seu papel, em constante transformação, na sociedade finlandesa.

1. A Yle é quase tão antiga quanto a BBC

A emissora britânica BBC iniciou suas transmissões em 1922. A Finlândia seguiu o exemplo apenas quatro anos depois, quando a Yle transmitiu seu primeiro programa de rádio, em setembro de 1926, do centro de Helsinque para outras cidades. (“Yle” é como a empresa Yleisradio abrevia seu nome em finlandês.)

2. Ela foi criada para conectar uma jovem nação

No alto de uma colina, duas altas torres de rádio se destacam no horizonte, acima dos edifícios da cidade. Ao fundo, avista-se uma paisagem rural.

A cobertura de rádio expandiu-se gradualmente até alcançar toda a Finlândia. Na década de 1930, cerca de 100 mil residências já recebiam as transmissões da Yle. Esta fotografia da cidade de Lahti, no sul do país, mostra uma estação de rádio e suas torres por volta de 1935.
Foto: Arquivos da emissora pública finlandesa Yle

A Finlândia havia conquistado sua independência há menos de uma década. Os fundadores da Yle viam a radiodifusão como uma forma de aproximar pessoas que viviam em cidades distantes e comunidades rurais, espalhadas por um país de baixa densidade populacional.

3. Desde o início, programas infantis sempre fizeram parte da Yle

Um dos primeiros grandes sucessos da Yle foi Children’s Hour with Uncle Markus (Markus-sedän lastentunti). Durante três décadas, o radialista Markus Rautio, querido em todo o país, ensinou boas maneiras às crianças e exaltou as virtudes do mingau.

4. A Yle contribuiu para aproximar os finlandeses da educação e da cultura

Músicos da Orquestra Sinfônica da Rádio Finlandesa se apresentam em uma sala com luminárias suspensas, sentados diante de estantes com partituras.

A Orquestra Sinfônica da Rádio Finlandesa foi fundada em 1927, apenas um ano após o início das transmissões de rádio no país. A orquestra é reconhecida internacionalmente e já acumula diversos prêmios. Esta foto registra uma apresentação realizada em um estúdio de Helsinque, em 1927.
Foto: Arquivos da emissora pública finlandesa Yle

Já em seu primeiro ano, a Yle transmitia aulas de idiomas, coberturas parlamentares e concertos de música sinfônica, levando educação, política e cultura para dentro dos lares.

5. A televisão chegou surpreendentemente tarde

Operadores de câmera, usando fones de ouvido, posam atrás de três grandes equipamentos de estúdio, numeradas de 1 a 3 e montadas em tripés.

Operadores de câmera posam com equipamentos de televisão na cidade de Tampere, situada no centro-sul da Finlândia, em 1965.
Foto: Arquivos da emissora pública finlandesa Yle

As transmissões regulares começaram em 1958. E o primeiro telejornal foi ao ar um ano depois. Naquela época, muitos finlandeses sequer sabiam o que era um aparelho de televisão.

6. A Yle transmite o evento anual de maior audiência da Finlândia

Katri Helena, usando um longo vestido em tom creme, cumprimenta o presidente Alexander Stubb no tapete vermelho do Palácio Presidencial, em Helsinque.

A recepção do Dia da Independência, realizada no Palácio Presidencial, é uma das transmissões televisivas mais assistidas do ano. Em 2025, a cantora Katri Helena foi a primeira convidada a cumprimentar o presidente Alexander Stubb e sua esposa, Suzanne Innes-Stubb.
Foto: Lauri Heikkinen / Gabinete do Presidente da República da Finlândia

Todo mês de dezembro, milhões de finlandeses ligam a televisão para acompanhar a recepção do Dia da Independência, oferecida pelo presidente do país. A Yle transmitiu o evento pela primeira vez em 1949, pelo rádio. Até hoje, ele permanece como uma das maiores tradições televisivas da Finlândia.

7. A Yle foi pioneira na era digital

A emissora entrou na internet em 1995, muito antes de o streaming se tornar algo comum. O serviço de streaming Yle Areena, lançado em 2007, transformou a maneira como os finlandeses assistem à televisão e ouvem rádio, enquanto seu Arquivo Vivo (Elävä Arkisto) tornou-se referência mundial em arquivos de transmissão digital.

8. Os finlandeses confiam na Yle

Uma vista de Helsinque no inverno revela uma torre cilíndrica de concreto que domina a paisagem urbana, enquanto duas pessoas passeiam com seus cães pela neve.

Localizada no bairro de Pasila, esta torre de transmissão é um dos marcos de Helsinque há décadas.
Foto: Pekka Vyhtinen / Museu da Cidade de Helsinque

A confiança do público é um dos motivos pelos quais a Yle mantém sua influência mesmo após um século de existência. Pesquisas frequentemente apontam a Yle como a organização jornalística mais confiável da Finlândia.

9. A Yle atua em um dos ambientes de mídia mais livres do mundo

A Finlândia figura regularmente entre os primeiros colocados nos índices internacionais de liberdade de imprensa. A liberdade de expressão é protegida por lei, e o jornalismo independente constituiu um dos pilares da democracia finlandesa.

10. A Yle atende a uma das populações com maior alfabetização midiática da Europa

Famílias e crianças lotam um parque gramado em Laukaa durante um concerto do Pikku Kakkonen da Yle, com fileiras de pessoas e cadeiras dobráveis em um ambiente cercado por árvores.

Os concertos infantis do Pikku Kakkonen, programa da Yle realizados em diferentes locais da Finlândia, são extremamente populares. Este evento foi realizado em Laukaa, na região central do país.
Foto: Antti Makkonen / Museu da Finlândia Central

A Finlândia ocupa o primeiro lugar no Índice Europeu de Alfabetização Midiática desde a sua primeira edição, publicada em 2017. Desde muito cedo, as crianças aprendem a avaliar fontes, a reconhecer informações falsas e a compreender como a mídia influencia a sociedade. Bibliotecas, escolas e organizações da sociedade civil também contribuem para a alfabetização midiática.

Por Emilia Kangasluoma, setembro de 2026