Satélites finlandeses Aalto rodeiam o espaço

Na Universidade Aalto, em Helsinque, estudantes criaram dois nano satélites que foram recentemente lançados no espaço. No futuro próximo, numerosos outros nano satélites fornecerão uma riqueza de novas informações, que serão relevantes para o meio ambiente, para os transportes e para as empresas, além de ajudarem a solucionar desafios críticos como as mudanças climáticas.

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Nano satélites, como os construídos na Universidade Aalto (chamados Aalto-1 e Aalto-2), estão dissipando pre-conceitos sobre o que um satélite é e sobre o que ele pode alcançar.

“Enquanto um satélite grande tradicional pesa cerca de 500kg, um nano satélite pesa apenas 5kg”, afirma Jaan Praks, professor assistente da Universidade Aalto, cujas áreas de especialização são sensoriamento remoto e tecnologia espacial. “O preço de um nano satélite padronizado é apenas uma fração do de um grande satélite.

Quando os satélites são pequenos e leves, um foguete transportador pode levar um grande número deles ao espaço ao mesmo tempo.
“Embora o satélite seja muito pequeno, sua tecnologia avançada significa que sua carga útil pode ser quase igual a de um satélite maior. Sua tecnologia é miniaturizada: dispositivos cada vez menores realizam tarefas cada vez mais exigentes.”

Praks explica que uma câmera hiperespectral, construída pelo centro de pesquisa finlandês VTT (Technical Research Center of Finland Ltd ), para percepção remota, foi lançada junto com o Aalto-1.
“Considerando que dispositivos similares anteriores pesavam 100 kg, a câmera do nosso satélite pesa 600 gramas.

Múltiplos pares de olhos podem ver mais do que um

Alguns membros da equipe de desenvolvimento do Aalto-1 em uma pose informal com um modelo inicial do satélite.Foto: Projeto Aalto-1 / Universidade Aalto (cc by sa 4.0)

Graças ao tamanho dos nano satélites, dezenas deles podem fazer parte de um lançamento apenas. Em 18 de abril de 2017, o Aalto-2, que pesa somente dois quilogramas, tornou-se o primeiro satélite construído na Finlândia a ser lançado no espaço, parte do lançamento Atlas V de Cabo Canaveral, na Flórida. Em 23 de junho de 2017, o Aalto-1 entrou no espaço pelo mesmo veículo de lançamento que o satélite Polar, enviado pela Organização de Pesquisa Espacial da Índia (Indian Space Research Organisation).

Os alunos que construíram o Aalto-2 agora trabalham na Reaktor Space Lab, uma start-up que projeta, fabrica e faz testes com pequenos satélites.

Juha-Matti Liukkonen , diretor de reator da empresa Space & Robotics, acredita que os pequenos satélites terão um papel significativo no IoT, ou seja, na Internet das coisas.

“Os satélites pequenos, por sua vez, produzirão dados essenciais para os negócios. Eles também ampliarão a rede de dados e a infra-estrutura de informações para áreas onde estes não estavam disponíveis anteriormente, inclusive para o Oceano Ártico.

“O cerne da questão é que vários pares de olhos podem ver mais do que um. Um grande número de pequenos satélites pode passar pelo alvo com mais frequência e criar uma imagem da situação mais próxima do tempo real”.

Pontos de interesse no Ártico

Satélites projetados aqui: o Reaktor Space Lab é o desenvolvedor do satélite Aalto-2.Foto Tuomas Tikka

O uso de aplicativos espaciais para responder às crescentes demandas do Árctico tem destaque na estratégia espacial finlandesa. Outro objetivo é usar dados geoespaciais abertos para fortalecer a competitividade dos serviços. Na prática, o alto conhecimento do Ártico, combinado ao conhecimento espacial, podem servir para o fornecimento de dados de navegação precisos para os navios que viajam pelo Ártico, ou para dar informações sobre mudanças nas condições naturais da área. O conhecimento do espaço ártico também pode ser útil à provisão de dados precisos sobre a Aurora Boreal para o uso do turismo.

A tecnologia espacial pode, em parte, ajudar a encontrar soluções para problemas críticos que afetam a população mundial como um todo. Em particular, os satélites nos ajudarão a obter uma melhor compreensão das mudanças climáticas, que poderão ser medidas.

“Resolver problemas globais exigirá uma imagem de situação global. Agora entendemos os fenômenos climáticos melhor do que anteriormente, pois podemos ter um modelo do clima por todo o globo, ao mesmo tempo, usando dados de satélite”, diz Praks.
“Os satélites fornecem informações precisas sobre coisas como o volume de gases atmosféricos, a nebulosidade, o derretimento de geleiras, as mudanças nas linhas de árvores, o derretimento de permafrost, as inundações e muitos outros fenômenos.

De acordo com as visões mais audaciosas, a tecnologia espacial poderá fornecer ferramentas para mitigar as mudanças climáticas. Estas poderiam incluir, por exemplo, espelhos situados no espaço que refletiriam os raios solares, assim como os painéis solares, dos quais o poder livre de emissão poderia ser transferido para a Terra através de microondas.

O futuro certamente reserva surpresas

O satélite Aalto-1 orbita a terra, coletando e transmitindo dados (visão do artista).Ilustração: Aalto-1 / Aalto University (cc by sa 4.0)

O que o futuro reserva?
“Muito acontecerá, incluindo coisas que não esperávamos. Pode ser que as coisas aconteçam em um ritmo mais lento do que o que gostaríamos. No entanto, infra-estrutura para estar no espaço será parte fundamental da infra-estrutura global”, diz Praks.

“As câmeras hiperespectrares em satélites darão, por exemplo, acesso suficiente a uma grande empresa australiana de agricultura, para que tenha informações precisas sobre o que está acontecendo em campos localizados em áreas remotas e quando seria ideal enviar colheitadeiras combinadas para a área.

Pequenos satélites transformam dados de satélite em dados em tempo real – os satélites nos permitem receber dados em tempo real sobre coisas como tráfego e logística.
“A área dos satélites será parte da digitalização. O espaço ocupará uma parte importante da rede mundial de sensores”, explica Praks.

Por Matti Välimäki, julho de 2017

 

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