De virtuoso para virtuoso

Jean Sibelius, o mais famoso compositor finlandês completa 150 anos

ler artigo

O que Jean Sibelius pensaria se soubesse que sua música é apreciada em todo o mundo por ambos; músicos e público, mas que a maioria de seus compatriotas só conhecem sua história pessoal?

Jean Sibelius
8 de dezembro de 1865 —
20 de setembro de 1957 Foto: Yousuf Karsh, Reprografia: Taneli Eskola

Jean Sibelius nasceu em 8 de dezembro de 1865 e, 150 anos depois, ele continua a ser  o grande ícone da música finlandesa.
“Se a música finlandesa tem uma pessoa como ícone, esta é definitivamente Sibelius. Ele foi o mais famoso dos finlandeses quando vivo e muito provavelmente continuará a ser no futuro.” – diz Hannu Lintu, Primeiro Maestro da Orquestra Sinfônica da Rádio Finlandesa.

No entanto, Jean Sibelius não é o único sinônimo da música finlandesa – diz o pesquisador Timo Virtanen, da Biblioteca Nacional da Finlândia, especialista em Sibelius – Houve outros compositores antes dele, contemporâneos a ele e depois dele. Muitos compositores de seu tempo construíram seu estilo influenciados por uma abordagem da Europa central, além das tradições musicais de estilo alemão.

Foi pela música de Sibelius que uma essência musical finlandesa foi criada na virada do século XX. O compositor criou um estilo que era ao mesmo tempo nacional e universal.
“Há uma essência finlandesa muito forte e facilmente reconhecível na música de Sibelius, porém, algumas vezes ele pensava que o “finlandesismo” de sua música estava exagerado. Ele queria ser cosmopolita.” – lembra Virtanen.

“As obras de Sibelius devem ser apreciadas pela da música em si e não por uma abordagem nacionalista.” –  Hannu Lintu concorda.

Os finlandeses conhecem sua biografia melhor do que sua música

 Apesar de Sibelius ser o compositor representante Nacional da Finlândia, muitos finlandeses sabem mais detalhes sobre sua vida por conta de filmes e livros biográficos do que por sua música. o Hino Nacional finlandês é a obra mais conhecida de Sibelius pelos finlandeses. Leigos normalmente não conseguem explicar o efeito que a música dele gerou na música finlandesa em si. Músicos professionais, no entanto, compreendem isso fortemente.

“Sibelius não teve sua própria escola, mas a estrutura sinfônica que favorece a muitos compositores finlandeses remonta a ele. Um outro efeito gerado por esta realidade é que alguns compositores têm se esforçado muito para tomar um caminho totalmente diferente, levando sua música para outra direção que não a de Sibelius.” – Timo Virtanen lembra.

Timo Virtanen trabalha desde 1997 como editor-chefe do trabalho de Jean Sibelius, na Biblioteca Nacional da Finlândia. Ele acredita que como presente de aniversário o gênio compositor gostaria de saber que seu trabalho, sempre tão apreciado, foi compilado em uma edição crítica. Por enquanto, apenas vinte e seis partes do total de cinquenta e duas obras foram publicadas. “Seria tão grandioso poder dar a ele as peças já publicadas com a promessa de que, eventualmente, o mesmo seria feito com todas as outras.”Foto: Timo Virtanen

A música de Sibelius é normalmente considerada revolucionária, principalmente seus últimos trabalhos. Composições como a Sétima Sinfonia e Tapiola exibem um tom de modernidade considerada intrigante também para os músicos modernos.

 

”O concerto amaldiçoado para violino”

O maestro principal da Orquestra Sinfónica da Rádio Finlandesa, Hannu Lintu, acredita que Jean Sibelius ficaria feliz em receber um presente dos músicos pelo seu 150º aniversário: "Eu acho que ele teria ficado encantado se os músicos simplesmente o agradecessem por suas composições. Acredito que ele apreciaria este presente mais do que qualquer outro."

O maestro principal da Orquestra Sinfónica da Rádio Finlandesa, Hannu Lintu, acredita que Jean Sibelius ficaria feliz em receber um presente dos músicos pelo seu 150º aniversário: “Eu acho que ele teria ficado encantado se os músicos simplesmente o agradecessem por suas composições. Acredito que ele apreciaria este presente mais do que qualquer outro.”Foto: Veikko Kähkönen

Sibelius estava à frente de seu tempo em muitos aspectos – Timo Virtanen e Hannu Lintu concordam. O exemplo mais famoso de sua bravura é o  Concerto para violino, op. 47 d., que estreou em 1905, mas só alcançou a glória décadas mais tarde.

“É uma composição difícil, original e que exige muito tanto do solista quanto do maestro e do ouvinte. O próprio Sibelius caracterizou-o como um concerto para violino maldito e encantador. Ele o chamava de “ um fenômeno de floresta” e é exatamente isso que o concerto para violino é sob o ponto de vista de seus contemporâneos: escuro, melancólico e estranho” – Virtanen resume.

Um violino dado a Jean Sibelius por seu tio em 1881. Fabricante: Santo Serafin (1668-1748), Veneza, Itália. Coleção privada. Foto: Conselho Nacional de Antiguidades / Ilari Järvinen 2015

Hoje em dia o Concerto para Violino de Sibelius é o segundo mais gravado do mundo, perdendo apenas para As Quatro Estações de Vivaldi. Mas o que o tornou tão popular?

Timo Virtanen acredita que o equilíbrio extraordinário entre a ostentação da virtuose e a solenidade da composição fazem deste concerto um obra empolgante e original, ao mesmo tempo encantadora e acessível.

“Não é uma peça fácil de ouvir, mas oferece momentos fantásticos além de um final magnífico, que dá ao ouvinte uma sensação de elevação.” – descreve Virtanen.

O maestro Lintu teve a oportunidade de reger o Concerto para Violino, além de outras obras de Sibelius muitas vezes e por todo o mundo.

“As melhores perfórmances são as que os solistas tiveram uma forte capacidade de perceber a unidade da obra e não somente se concentrar na composição com uma nota de cada vez. O Concerto para Violino exige virtuosismo do solista. Há uma série de possibilidades de interpretação. A perfeição técnica não é suficiente, você precisa entrar na composição.” – diz Lintu.

 

Por Lena Nelskylä, dezembro de 2015

 

Jean Sibelius

1865–1957

– famoso internacionalmente, é o compositor finlandês que teve o maior número de obras gravadas

– Principais trabalhos:

Simfonias 1–7 (1899–1924)
Kullervo op. 7 (1892)
Finlândia op. 26 (1899)
Karelia-series, op. 11 (1893)
Concerto para Violino, op. 47 d-molli (1905)

– A partir de 2011 a Finlândia passou a celebrar o dia de Sibelius em 8 de dezembro, seu aniversário. É um dia oficial para se hastear a bandeira.

 

Hannu Lintu

ano de nascimento: 1967

– Primeiro Maestro da Orquestra Sinfônica da Rádio Finlandesa.

– Conhecido por sua contribuição à música contemporânea e por suas grandiosas peças.

-Regeu inúmeras orquestras sinfônicas por todo o mundo.

Timo Virtanen

ano de nascimento: 1965

– Doutor em Música, Docente na Academia de Artes e Universidade Sibelius.

– Trabalha como editor-chefe dos trabalhos de Jean Sibelius Works na Biblioteca Nacional da Finlândia.