Numa quarta-feira à noite, o lendário restaurante Ilves, em Helsinque, está longe de ser um lugar tranquilo. Pois o ambiente está repleto de possibilidades. Alguns ali buscam romance. Outros simplesmente querem escapar de uma noite solitária.
Tatskatytöt – literalmente “garotas tatuadas” – é o nome adotado pelas tatuadoras Salla Ollakka e Lee Su Ling. O que começou como um projeto evoluiu para um verdadeiro movimento de eventos sociais, promovendo encontros em bares, festivais e museus por todo o país. A proposta das anfitriãs é criar espaços acolhedores, seguros e animados, onde qualquer pessoa é bem-vinda, independentemente de quem seja ou da orientação afetiva.
Os eventos incluem sessões de amizade sem pressa ouslow friending, quizzes de pub, bingos e jogos em grupo, atividades pensadas para quebrar o gelo e promover conexões autênticas. Realizados em finlandês e inglês, os encontros atraem moradores locais, estudantes estrangeiros e pessoas que se mudaram recentemente para o país.
O retorno à vida real

Mesas iluminadas por velas, rosas espalhadas pelo ambiente e cartões com perguntas cuidadosamente preparados.
Em um mundo cada vez mais dominado pelas telas, as conexões reais entre as pessoas estão se tornando uma raridade. O sucesso das Tatskatytöt talvez seja exatamente isso oferecer algo diferente de simplesmente deslizar o dedo, como fazemos em uma tela. Encontrar pessoas frente a frente nem sempre é fácil. Mas, às vezes, basta ter um horário, um local e uma dose de sisu — característica tipicamente finlandesa que combina coragem e perseverança.
Pontualmente às seis da tarde, as organizadoras começam as inscrições. Em menos de quinze minutos, todas as vagas para as duas rodadas de encontros rápidos (speed dating) já estão preenchidas. O local também recebe amigos e curiosos que passam por ali, mostrando que nem todos buscam romance.
Hiski Ruusulampi chega cedo. Após participar de cinco eventos das Tatskatytöt, ele sabe o quanto o ambiente ganha vida rapidamente. Mais do que encontrar um parceiro amoroso, Ruusulampi busca interações genuínas, algo que, segundo ele, tem se tornado cada vez mais raro.

Hiski Ruusulampi já participou de diversos eventos promovidos pelas Tatskatytöt e afirma que o maior atrativo é a oportunidade de conversas presenciais.
A atmosfera é acolhedora e descontraída. Para quebrar o gelo, as anfitriãs fazem perguntas temáticas e sutilmente incentivam o grupo, deixando os mais tímidos à vontade.
Quem são os participantes e por que estão ali

Heta Rantakokko já marcou presença em mais de dez eventos organizados pelas Tatskatytöt. Ela aconselha: “Saia da sua zona de conforto e aventure-se no mundo real”.
As Tatskatytöt têm a inclusão genuína como regra. “Nossa ideia é sermos calorosas e acessíveis. Apoiamos todas as comunidades LGBTQIA+, por isso também queremos criar eventos voltados para elas”, explica Ollakka. O grupo frequentador é bastante diverso. Jovens adultos dividem espaço com participantes na faixa dos 60 anos.
Aplicativos de namoro? Muitos já tentaram e se cansaram disso. Além disso, interações que nunca evoluem para encontros reais são desgastantes.
Também frequentadora, Heta Rantakokko afirma que os eventos são interessantes justamente pela possibilidade de conversar com pessoas que dificilmente encontraria em outras circunstâncias. Assim como Ruusulampi, Heta não está necessariamente procurando um relacionamento. Ela quer aproveitar uma noite agradável e ampliar o círculo social.

Segundo Heta, o ambiente descontraído de um bar é algo que ajuda muito. Mas a ideia também funciona bem em outros espaços, como o Kiasma Museum of Contemporary Art, também em Helsinque.
No início, as organizadoras tinham dúvidas sobre a receptividade do projeto na Finlândia. Por isso, apostaram na criação de uma experiência acolhedora.
Após cada rodada, os participantes anotam o número das pessoas que gostariam de rever. Quando há interesse mútuo, a própria equipe das Tatskatytöt promove interações depois. Não há rejeições constrangedoras. Apenas boas vibrações.

As Tatskatytöt querem inspirar coragem naqueles que enfrentam a solidão.
Com a noite terminando, muitos participantes já perguntam quando será o próximo encontro. Alguns chegam sozinhos e deixam o local com novos amigos. Outros saem satisfeitos porque há um espaço para tentar novamente.
Por Céilidhe Becker, maio de 2026
Fotos por Emilia Kangasluoma
Gostaria de participar? Confira a página das Tatskatytöt no Instagram, Facebook ou Menokone para obter detalhes dos eventos.