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Cenário mais otimista para a Finlândia

Por Eljas Repo, fevereiro de 2012

Foto: Niklas Sjöblom/taivasalla.net
Vendo o lado positivo: espera-se que a Finlândia cresça, apesar da instabilidade da economia global. O sol brilha no arquipélago próximo a Helsinque.

As notícias sobre a economia atual não são muito animadoras. Isso é o que as previsões para este ano refletem. A Europa tem crescimento zero previsto para 2012. A previsão para a Finlândia é ligeiramente melhor, e um crescimento discreto é esperado.

Na falta de boas previsões, concentre-se em 2013. Este será o ano em que as tendências serão mais otimistas para as economias europeia e finlandesa.

Mas 2013 ainda está muito longe, portanto, vamos analisar o estado da economia finlandesa neste início de 2012. Temos boas notícias, porém também temos alguns problemas.

Entre as boas notícias, temos o sólido poder de compra dos mercados de exportação mais importantes da Finlândia, as baixas taxas de desemprego, o bom estado da economia e a excelente classificação de risco AAA. Entre os problemas, temos o futuro incerto da economia global, o que significa que as indústrias estão hesitando em investir e que a segurança dos consumidores é baixa.

Uma reviravolta estranha no outono

Foto: Outokumpu
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A baixa do euro pode beneficiar as exportações da indústria metalúrgica finlandesa. O aço inoxidável de Outokumpu brilha intensamente na inigualável Ponte Helix, em Singapura.

No outono de 2011, os indicadores passaram a prever o pior para a economia global e especialmente para a economia europeia. A crise na Grécia foi de mal a pior e nuvens negras se formaram sobre o sistema monetário único da Europa. A atmosfera era sinistra, e a Finlândia também sentiu o impacto. Os indicadores de confiança caíram e as previsões se tornaram negativas.

No final de 2011, o Ministério das Finanças finlandês publicou um relatório econômico. O relatório estimou uma taxa de crescimento do PNB da Finlândia de 2,8% para 2011, e de apenas 0,4% para 2012. A estimativa de crescimento estipulada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico para o país era ligeiramente melhor.

O estado da economia global e as perspectivas para a Europa são bastante ruins. Tendo isso como base, algumas instituições de previsões econômicas como a Norde e o Tapiola Bank acreditam que o PNB da Finlândia cairá em 2012, assim como o do resto da Europa.

Os dados mais otimistas do Ministério das Finanças são baseados na demanda doméstica contínua e em um desenvolvimento econômico melhor do que o esperado de seus parceiros comerciais mais importantes, como a Rússia, a Suécia e a Alemanha.

Com o euro em baixa, uma previsão mais otimista

O setor de varejo finlandês tem se beneficiado com as compras feitas por turistas russos no país. As estatísticas indicam que os russos representam o maior grupo de turistas na Finlândia, fazendo aproximadamente meio milhão de reservas hotel no país a cada ano. É muito comum encontrar turistas russos em Helsinque, mas o turismo ainda não representa uma fonte de renda nacional significativa.

Os russos não são os únicos que descobriram Helsinque, a Capital do Design de 2012. O New York Times selecionou 45 lugares para visitar em 2012, com Helsinque listada como o segundo destino mais interessante.

Entre os nossos maiores grupos de produtos exportados, temos: eletrônicos e produtos da indústria metalúrgica e de papel e celulose. Essas indústrias sofreram com a alta do euro. Em um ano, o euro enfraqueceu aproximadamente 20% com relação ao dólar. Isso aumentou a competitividade das empresas finlandesas. Talvez isso não seja visível de imediato nas estatísticas, mas certamente beneficiará as exportações do país.

O euro e a crise na Grécia

A participação da Finlândia no sistema monetário único europeu gerou discussões significativas. Nas eleições da primavera de 2011, Timo Soini, do partido True Finns, saiu vencedor após criticar o apoio da EU e do Banco Central Europeu à Grécia. Depois da eleição, Soini deixou o governo, porém Jutta Urpilainen, presidente do Partido Social Democrata, que sofreu um grande fracasso na eleição, adotou partes do programa de Soini. Urpilainen se tornou Ministra das Finanças, e caucionou as negociações da Finlândia quando o último pacote de auxílio foi preparado para a Grécia.

Esta manobra não foi bem recebida por especialistas do mercado financeiro, mas pode ter contribuído para a credibilidade de Urpilainen. Ela teve uma boa classificação na lista de Melhores Ministros das Finanças do Financial Times. Urpilainen obteve o sétimo lugar, mas era a primeira entre os novos ministros da lista. Nada mau para uma professora sem graduação em economia.

Queda rápida, recuperação ágil

Foto: Niklas Sjöblom/taivasalla.netClick to enlarge the picture
Voltando ao topo: a Finlândia reage enquanto a economia global sofre com a crise. Espetáculo de luzes na torre do Estádio Olímpico de Helsinque.

A crise financeira de 2008 e o impasse resultante no comércio internacional foi um choque para a Finlândia. O PIB caiu 8,7%, uma queda maior do que a de qualquer período desde a guerra civil de 1928. As economias foram prejudicadas no mundo inteiro, mas a queda do PIB finlandês foi a maior da Europa Ocidental.

Os motivos para a queda drástica podem ser encontrados na estrutura da economia da Finlândia. As exportações representam uma grande parcela do PIB. Diante da paralisação do comércio mundial entre 2008 e 2009, navios deixaram de partir dos portos finlandeses.

Em geral, uma grande redução do PIB indica um aumento drástico na taxa de desemprego. No entanto, esse não foi o caso da Finlândia. A taxa de desemprego rapidamente chegou a 9%, mas uma tendência positiva surgiu em seguida. A taxa de desemprego da Finlândia é claramente mais baixa do que a taxa média da Europa. Em novembro de 2011, a taxa mensal era de 6,2%.

Na Finlândia, a situação do emprego é equilibrada pelo grande número de pessoas que deixam o mercado de trabalho. Em outras palavras, um número recorde de finlandeses está se aposentando. A geração nascida após a Segunda Guerra Mundial (entre 1946 e 1949) é a maior da Finlândia, e este grupo acaba de alcançar a idade de aposentadoria. O fenômeno gera uma crescente busca por mão-de-obra.

A Finlândia ainda faz parte do grupo de países com classificação de risco AAA

O governo Finlandês foi forçado a preparar um orçamento no qual as despesas superam a receita. A maioria dos países europeus partilha do mesmo problema. A maior parte deles ainda tem dívidas imensas, que não param de crescer.

O mercado, ou os donos de ações do governo, classifica os países europeus diariamente. A confiança do mercado na Finlândia é ligeiramente menor do que na Alemanha. As ações do governo finlandês pertencem à elite europeia.

No início de janeiro, a Standard & Poor's deu uma classificação de risco mais baixa para a grande maioria dos países que têm o euro como moeda, porém a Finlândia, juntamente com Luxemburgo, Holanda e Alemanha, manteve a classificação AAA mais alta.

LINK:

New York Times: 45 lugares para visitar em 2012
(em inglês, consulte o segundo colocado da lista)

 

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